sexta-feira, março 1, 2024

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CARRO COM CONCEITO DE EFEITO-SOLO

Aos poucos, o conceito do que a F1 propõe para a revolução do regulamento para 2021 vai ganhando forma. Um esboço do conceito do novo carro foi apresentado, tendo como maior novidade a possibilidade do retorno do efeito-solo. A expectativa é que as corridas sejam mais parelhas sem tanta influência da turbulência que impede a aproximação dos carros

Ainda com discussões entre Fórmula 1, equipes e a FIA sobre o novo regulamento da categoria para 2021, os primeiros esboços do carro do futuro do esporte já foram até revelados. As novas regras devem apresentar uma grande mudança em termos de aerodinâmica no downforce, com o novo carro se livrando de conceitos que são dominantes nos monopostos, produzindo asas dianteiras mais simples e menos sensíveis.

A grande mudança aparece na parte inferior do carro, com túnel do tipo Venturi — conceito de aerodinâmica e mecânica dos fluídos —, que produzem um difusor duplo, que será o responsável pelo downforce. O conceito de efeito-solo ficou conhecido no final dos anos 1970, com a Lotus, até o recurso ser banido em 1983.

“Queremos carros mais próximos para disputa e mais batalhas. Queremos pneus que permitam disputas sem degradação ou dando apenas um curto intervalo para o outro piloto atacar. São conceitos mais simples que os carros atuais por conta de componentes pequenos que foram removidos, especialmente nos sidepods. A asa dianteira foi simplificada, tem um difusor debaixo do carro que ligam a parte traseira até a dianteira do carro”, declarou Nikolas Tombazis, diretor de assuntos técnicos da FIA, ao site norte-americano ‘Motorsport.com’.

Em artigo escrito ao site norte-americano ‘Motorsport.com’, o especialista em aerodinâmica Jake Boxall-Legge explica que as mudanças previstas para o regulamento de 2021 tendem a tornar as corridas mais equilibradas.

“Atualmente, os carros de F1 operam com um assoalho plano, que faz a transição a um difusor no momento de chegar ao eixo traseiro. Junto com a asa traseira, os dois elementos contribuem para criar a maior parte da carga aerodinâmica total, mas a custo de uma grande turbulência, conhecida como ar sujo. A turbulência é algo que é sensível ao carro que persegue, já que estes carros geralmente estão desenhados para funcionar da melhor maneira possível em condições ambientais laminares”, salientou.

“A mudança para o uso dos túneis Venturi, que se abririam na parte dianteira dos sidepods, desenvolve o que é conhecido como efeito-solo, de onde o ar se acelera mais ao passo em que faz a transição entre o assoalho do carro e o solo. Isso permite que se desenvolva mais força ou carga aerodinâmica e significa que os carros possam trabalhar com um tamanho reduzido da asa traseira. O foco no corpo aerodinâmico sob a carroceria também reduz a sensibilidade do equilíbrio aerodinâmico, o que significa que os carros que estão atrás não vão sofrer a perda imediata de pressão aerodinâmica em meio à turbulência, ou seja, o ar sujo”, explicou.

Para Boxall-Legge, “a adição de defletores às rodas dianteiras vai garantir que os túneis Venturi mantenham sua efetividade quanto ao efeito aerodinâmico. A turbulência é notoriamente difícil de controlar, o que explica a complexidade crescente dos pacotes atuais de bargeboard, portanto, inibir esta esteira significa que os bargeboards podem ser regulados com mais rigor”, complementou o especialista.


O que vem aí para a F1 do futuro?

BICO: Um bico mais baixo em relação ao adotado atualmente, como foi usado pela categoria na década de 1990;

FLUXO: A ideia é melhorar o fluxo de ar abaixo do carro, ajudando a alimentar melhor os túneis Venturi, que vão gerar o conceito de efeito-solo;

ENDPLATES: Aletas laterais, da asa dianteira estão arredondados para ajudar a minimizar o risco de furos de pneu no caso de um toque entre carros, um cenário que tem mais chances de acontecer considerando a asa dianteira mais larga;

AERODINÂMICA: simplificada fica exposta com um bico mais baixo e sem tanto desvios de fluxo de ar;

RODAS: As rodas podem levar tampas, o que ajudaria a administrar melhor o fluxo de ar;

DUTOS: Os dutos de refrigeração dos freios vão ser mais simples e influenciar menos na aerodinâmica;

DEFLETORES: As rodas dianteiras estão cobertas com dois defletores que ajudam a direcionar o fluxo de ar desde a roda dianteira até abaixo do assoalho, no lugar de levar o ar para cima, o que causa a indesejável turbulência para os carros que estão atrás;

HALO: elemento criado para oferecer maior segurança aos pilotos no cockpit, passa a ser melhor integrado ao desenho geral do carro;

DIFUSOR: mais alto tende a ser bem mais potente que o difusor dos carros de hoje, o que vai permitir que a maior parte da carga aerodinâmica vai ser criado debaixo do carro;

ASA: asa traseira conta com um endplate simples para reduzir o efeito da turbulência e ajuda a desviar o fluxo de ar até acima com um vórtice duplo.

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