Alesc está definindo internamente o rito para o impeachment de Moisés. Governador e vice serão notificados em seguida. Afastamento se concretiza somente com apoio de 2/3 dos deputados.

O passo a passo
Além de se pautar pela Constituição Estadual e Regimento Interno para os casos de impeachment, os deputados catarinenses precisam considerar o que diz a lei federal 1.079, de 1950, e as decisões do Supremo sobre essa matéria. Há divergências quanto aos prazos estabelecidos e o que aponta, por exemplo, o Regimento Interno.
Depois que a Alesc fechar seu entendimento, o governador será notificado da decisão e do rito a ser seguido. A partir disso, começam a correr os prazos.
O primeiro é o da manifestação da defesa de Carlos Moisés e Daniela Reinehr dos fatos denunciados. E aí um elemento importante: Moisés e Reinehr estão rompidos e têm pouco diálogo, desde que o governador se distanciou de Bolsonaro.
De acordo com o regimento interno, eles teriam 15 dias corridos para se manifestar, mas a legislação federal determina esse prazo em sessões legislativas. Atualmente, se fala que as respostas devem ser entregues até o fim de agosto.
O passo seguinte é a criação de uma comissão especial, cuja representação segue o critério da proporcionalidade, com blocos e partidos indicando os membros.
Essa comissão tem um prazo — trabalha-se com a hipótese de 60 dias — para apresentar um projeto de resolução ao plenário. Esse projeto é que vai apontar se há ou não o crime de responsabilidade. Para ser aprovado, é necessário apoio de 2/3 dos deputados, ou seja, 27 votos.
Estima-se, com os prazos atuais de 60 dias para comissão se manifestar, que o projeto de resolução seja apresentado ao plenário até o final de outubro.
Se o pedido de impeachment for aceito, o governador e a vice são afastados e começa, então, o julgamento.
O último passo é feito pela Comissão Julgadora, formada por cinco deputados escolhidos em Plenário e cinco desembargadores do TJ-SC. Essa comissão é presidida pelo presidente do Tribunal de Justiça.
O pedido
O pedido de impeachment aceito por Julio Garcia foi apresentado pelo ex-defensor público Ralf Zimmer Junior em janeiro de 2020. No entendimento do jurista, o governador e a vice cometeram crime de responsabilidade após conceder reajuste salarial aos procuradores do Estado em uma decisão administrativa em 2019. O aumento foi realizado a fim de equiparar os salários dos procuradores do Estado com os da Alesc.
(Fonte Fábio Bispo e Nícolas Horácio/Coluna Pelo Estado – SC Portais)
