Joaçaba foi emancipada em 1917. Até hoje nenhuma mulher tinha sentado na cadeira do executivo. Demorou mais de 100 anos para isso acontecer. Somente nessa semana uma mulher escreveu seu nome no livro da história fazendo desse ato como ela mesmo comentou um momento de representatividade feminina.
Mulher, moradora do interior e com um pai que sempre esteve à frente de ações políticas na cidade de Joaçaba e também em toda a região meio-oeste de Santa Catarina. Disnéia De Marco é a irmã do “meio” de uma família de três irmãos. Ela é a única mulher. O irmão mais velho é engenheiro e o mais novo médico.
A infância da hoje vereadora joaçabense, presidente da câmara, e agora prefeita em exercício, é marcada por histórias que envolviam o pai em comícios, reuniões partidárias e viagens a capital do estado e Brasília. Seu Joventino De Marco, sempre foi do Partido Progressista (PP), vereador por quatro mandatos e vice-prefeito. Tinha sua base de apoio no interior, onde até hoje é conhecido e reconhecido.
Para Disnéia a infância tem muito disso. A ausência do pai e da mãe que quase sempre o acompanhava. Ela e os irmãos juntos e a “lida” com os animais e a terra. “Meu pai sempre esteve envolvido com a política. Ele tinha e tem até hoje esse ideal de auxiliar os demais através de ações na câmara de vereadores ou no executivo. Isso para uma criança que quer apenas atenção do pai que já trabalhava muito era quase uma ausência imperdoável. Por isso sempre digo que eu não gostava desse meio. Fui fazer faculdade, me formei em odontologia, sempre disse que queria as pessoas sorrindo. Quando meu pai saiu da política, eu já adulta, quem entra? Minha mãe, dona Divair, e aí fui observar esse mundo mais de perto. Conversava muito com ela e com meu pai. Queria entender esse fascínio que tinham já que é um mundo muito difícil. De cobranças, de desapegos, de verdades e muitas inverdades”.
Foi nesse momento, quando a mãe se tornou vereadora, que Disnéia começou a olhar para a política com outros olhos. Percebeu o quanto a mãe, educadora, sofreu por ser mulher. Uma senhora mulher que enfrentou bravamente o preconceito e a comparação com o marido. Quando a mãe disse que não iria se candidatar novamente, o pai também não e os irmãos não tinham perfil, ela que era conhecida pelo jeito firme de se posicionar e vendo que alguém deveria seguir aquele legado não pensou duas vezes e se colocou à disposição.
Tanto ela quanto a mãe se elegeram pelo PP, o mesmo partido do velho Joventino, e que ela atualmente é presidente municipal. “Conhecemos o PP e sua essência. E eu acredito em fidelidade não só partidária, mas de convicções. Já recebi inúmeros convites de outros partidos, agradeço sempre, mas estou bem no meu, naquele que sempre disputamos pleitos em Joaçaba. Não sei o que a população ou os eleitores pensam disso, mas não vou mudar de partido por vantagens pessoais ou porque aquela ou outra sigla está na moda. Porque possui um candidato forte a presidente ou a governador. Creio que precisamos manter nossa postura e fazer valer aquilo que acreditamos”, destacou ela.
Disnéia acreditava que quando lançasse sua candidatura, amigos, conhecidos e família iam apoiar 100%. Não foi isso que aconteceu. Muitos realmente a apoiaram, fizeram campanha, trabalharam pela eleição, mas muitos não acreditavam e falavam que ela deveria até desistir, mas essa palavra, segundo ela, nunca fez e nunca fará parte do seu vocabulário. Ela não desistiu, e em 2016, com 34 anos idade, assume uma vaga no legislativo joaçabense.
No começo a comparação com o pai e a mãe, mas logo os colegas de legislativo, a imprensa e a comunidade perceberam que Disnéia possui personalidade forte, não se intimida diante das dificuldades e traça seu próprio caminho. “Sou sim filha do seu Joventino e da dona Divair que escreveram o início da história da minha família na política, mas hoje sou reconhecida pelo meu trabalho e pelo meu desempenho. Já consegui fazer valer a minha postura, meus ideais, meus objetivos. Tenho sempre um posicionamento a favor da mulher, dos mais necessitados, pela educação, saúde e pelo interior. Sou vigilante quanto ao executivo, mesmo que minha bancada seja da situação. Sei aplaudir, mas sei cobrar também”, ressaltou.
A mãe do Willian, da Kathlin e de três anjos Ana Júlia, João Vitor e Lavínia, que perdeu ainda quando estava grávida, foi reeleita em 2021. Foi presidente da casa no primeiro mandato e em 2022 agora é de novo a comandante do legislativo. Foi presidente do Fórum da Mulher junto à União dos Vereadores de Santa Catarina (UVESC) e atual vice-presidente. Autora do projeto que implantou a Promotoria da Mulher, a Galeria Rosa, o Combate à Pobreza Menstrual e a Linguagem Neutra.
Para ela, o ano de 2022, é de grande desafio no campo político. “É um ano eleitoral, difícil para os poderes municipais, já que tudo que acontece lá em cima nos atinge aqui de alguma forma. Vamos trabalhar cada vez mais buscando a harmonia dos poderes, mas sempre com foco na população”.
Quando questionada sobre o futuro, a dentista e agricultora como ela se define, sorri e afirma “as mulheres estão ocupando cada vez mais seus espaços, eu estar aqui na prefeitura, mesmo que por alguns dias já é uma vitória. O mundo da política é muito machista sim e só vamos acabar ou melhorar isso com a nossa participação cada vez mais ativa e fiscalizadora dos nossos direitos. Para o futuro estou à disposição do meu partido e da população, e ainda é muito cedo para pensar nisso. Meu foco agora é esse ano, o bom trabalho na gestão da presidência do legislativo joaçabense”.
(Fonte Assessoria de imprensa)
