Pela avenida quinze, ela me foi apresentada. Meados dos anos noventa. Seu aspecto vertical já prenunciava a tendência que hoje se confirma. Avulta-se ante íngremes encostas e suplanta a rusticidade das montanhas rochosas, onde ostenta aparatosas coberturas. Em contraste, o verde teima enfeitar os bolsões periféricos, entrecortados por desafiadoras ruas e escadarias. No campo, produção e criação seguem emendando auroras e crepúsculos, porque as mesas estão mais exigentes.
Pelas vitrines espelhadas, o centro duplica seu frenesi urbano, com panca de metrópole. Por isso a vizinhança vem. De perto e de longe, sempre mais alguém.
Os morros de seu entorno ganham urbanidade, erigindo modernos habitats que guarnecem sonhos, enquanto antigos casarios conservam a história que se move calma, qual ciclópica engrenagem, sumamente projetada.
Ao contemplar a pequena gigante do Meio Oeste, admiro produtivas ações com mínimo de ruído. A discrição fazendo escola e o trabalho alçando números em notáveis escaladas. A informação ocupando espaço, como em nenhum outro lugar. Afinado dueto do saber com o fazer, cuja harmonia ressoa pelo vale, em animada melodia.
Ano após ano, algum índice oficial a destaca e estimula, sem evitar estupefatas reações de incrédulos que desconhecem suas raízes.
Após dezenas de carnavais, a chegada dos netos nos modifica o olhar.
Nem me surpreendo mais com a grandeza de seus pormenores. Só sei que aprendi a palmilhar suas vias, com menos pressa e com mais atenção, observando o quanto pode sua gente e o quanto poderia o poder público, se marchasse na mesma cadência.
Com carinho de quem beira os sessenta, renovo votos de amor por Joaçaba, com cento e cinco abraços, repletos de estima e gratidão.
É um privilégio fazer parte de uma cidade onde, realmente se pode dizer: como é bom viver aqui.
Jaime Telles
