Estado já soma 20 mortes até abril; número supera em oito casos o mesmo período do ano passado.
Santa Catarina registrou um aumento de 66% nos casos de feminicídio em 2026. Até o dia 20 de abril, já foram contabilizados 20 homicídios cometidos por razões de gênero — oito a mais do que nos primeiros quatro meses de 2025.
Os dados são da Secretaria de Estado da Segurança Pública e acendem um alerta sobre o avanço da violência contra a mulher no Estado. Conforme o levantamento, esse é o maior número já registrado para o período desde o início da série histórica, em 2016.
Violência recorrente e sinais ignorados
Especialistas apontam que os casos não são isolados e refletem um padrão crescente de conflitos, muitas vezes dentro de relações já marcadas por histórico de violência.
Segundo a presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência Doméstica da OAB, Tammy Fortunato, o feminicídio é o estágio final de uma escalada de agressões.
“Quando há o registro de ocorrência, normalmente já existe um histórico anterior. O feminicídio não acontece de forma repentina, ele é resultado de um ciclo de violência”, destaca.
Ainda de acordo com ela, é fundamental reconhecer os sinais e agir preventivamente, com políticas públicas e ações educativas que incentivem a denúncia e o acolhimento das vítimas.
Final de semana com quatro casos
Somente em um final de semana recente, entre os dias 18 e 19 de abril, quatro feminicídios foram registrados em Santa Catarina.
Entre os casos está o de uma mulher morta pelo companheiro após uma discussão. Em outro episódio, uma jovem foi assassinada dentro de casa. Também houve registro de crime envolvendo arma de fogo e outro com suspeito que segue foragido.
As ocorrências foram registradas em diferentes regiões do Estado e reforçam a gravidade do cenário.
Prevenção ainda é desafio
Apesar do avanço de campanhas de conscientização e canais de denúncia, especialistas afirmam que ainda há falhas na prevenção e na proteção das vítimas.
A recomendação é que situações de violência sejam denunciadas o quanto antes, evitando que o ciclo evolua para casos extremos.
Fonte: Página Quatro
