quinta-feira, abril 16, 2026

HomeJoaçabaArtigo: A vida feita de momentos

Artigo: A vida feita de momentos

por Jaime Telles, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Oeste Catarinense – IHGO, palestrante, orador do Teatro Alfredo Sigwalt – Joaçaba, assessor do Deputado Federal Coronel Armando, locutor da Rádio Líder FM.

Magistralmente, a sabedoria Divina instalou em nosso cérebro, o mais avançado hardware, perfeitamente ajustado à software próprio, cujo conjunto de instruções permitem identificar o que devemos fazer ou evitar. Irrigou nossas entranhas com muitos litros de sangue, conduzindo trilhões de células, sendo, cada uma, morada de incontáveis moléculas, onde, amiúde, átomos sobre átomos bailam em profusão, em inimaginável escala. Dos movimentos desses, um rol infinito de probabilidades, porque, aquilo tudo é a vida pulsando sob comando da alma, agente animador dessa obra de grandeza ímpar.

Mas, nem precisamos acorrer ao mundo quântico ou subatômico, pois é macro a realidade que nos cerca. Então agimos, movendo a incrível engrenagem, sujeitos a erros e acertos.

Por que, então, comete erros, tal máquina que deveria ser perfeita?

Simples: Ela é mais que perfeita, porque não é máquina. É imagem e semelhança de seu Criador. E consta nela um acessório que a torna especial, uma peça extra, denominada livre arbítrio. Somos o que somos, porque agimos como agimos. Nossas decisões são frutos de nosso entendimento, quer tenhamos abundante ou parco conhecimento. E aí reside o fator intruso: o meio. De muitas formas somos influenciados por agentes externos, presentes no meio em que vivemos. Por isso, nem sempre conseguimos aproveitar o melhor de nós ou das situações que nos envolvem. Quem dera pudéssemos antever o quanto cada momento tem potencial para ser linha divisória em nossas vidas. Mas, no afã de fazer mais e melhor, tropeçamos e os tornamos momentos comuns, despidos de significado.

Quando apequenamos nossos pendores, inflamamos nosso sensível soma. É quando nossa carcaça sente o peso que parecia ínfimo. Então, comprometemos nossa existência, sentindo ou provocando dor e abrindo campo para instalação de diversos males. O corpo paga pelos pecados da alma. Sim, porque antes de praticar qualquer maldade, ela já passeou dentro de nós. Antes de vociferar qualquer impropério, ele já foi gestado no silêncio de nossa consciência, último cômodo do pensamento, onde dormitam o bem e o mal, a espera de algum play. Daquele arquivo secreto, o livre arbítrio é senha intransferível.

Não obstante, creia, a esperança campeia.

Os sinos do santo Natal incitam ricas lições. Cada badalar é lembrete para que direcionemos nossa atenção para as belezas e as grandezas que se acercam de nós.

Então, caríssimo, o momento atual é o mais rico. Nele repousam todas as nossas esperanças e o intrépido desejo de acertar, de merecer o bem e ser que feliz, que é nossa meta comum.

Que nos envolva, da cabeça aos pés, a haura santificante do advento, qual bálsamo sagrado a estancar nossas feridas, cujas causas escondem-se entre as agitações atômicas, sobre as quais sequer nos atemos.

Que o desmazelo possa dar lugar ao asseio mental, nos abrindo os olhos para o belo e para o conveniente.

Cada momento depende de nós.

Que venha 2023!

Posts semelhantes

Posts recentes