por Antonio Carlos “Bolinha” Pereira, 72 anos, diretor de eventos da Scajho.
Discípulo de Platão, o filósofo grego Aristóteles foi um dos pensadores mais influentes da história da civilização ocidental. Ele escreveu sobre diversos assuntos, como Ética, Política, Ciência, Metafísica e Lógica, e definiu como “pontos luminosos” certos momentos especiais que vez por outra acontecem. Essa expressão pode perfeitamente ser aplicada às nossas vidas, pois cada um certamente experimenta essa sensação quando sucede algo excepcional. Às vezes só se percebe a relevância depois de algum tempo, mas geralmente essa percepção é imediata.
Tivemos esse ponto luminoso no Teatro Alfredo Sigwalt quando se apresentaram dois grandes ícones da dança em nosso país: Ana Botafogo e Carlinhos de Jesus, internacionalmente reconhecidos como os maiorais dessa arte milenar de expressão corporal, que nos brindaram dançando a valsa “Fascinação”.
O memorável encontro aconteceu no Phoenix Festival Sul Brasileiro de Dança, promovido pela Associação Esportiva e Cultural Instituto Phoenix, coordenado por Octávio Nassur. O evento, de caráter competitivo, teve quatro etapas classificatórias, distribuídas entre Erechim (RS), União da Vitória (PR), Água Doce e Erval Velho (SC) e a fase final foi realizada no Teatro Alfredo Sigwalt, em Joaçaba, desde quinta-feira 10 de novembro até o domingo dia 13.
Carlinhos de Jesus nasceu no Rio de Janeiro em 1953, e tornou-se um expoente da dança de salão no Brasil, apresentando-se em espetáculos teatrais e programas de televisão. Para nós ele é um velho conhecido, pois participou como destaque da Escola de Samba Aliança no carnaval de 2018, onde mostrou seu lado cativante. Sua lista de premiações e destaques não caberia neste simples artigo de jornal. No carnaval carioca foi coreógrafo vitorioso da Comissão de Frente das Escolas de Samba Mangueira, Beija-Flor, Império Serrano, União da Ilha do Governador e Portela.

Para nosso orgulho Ana Botafogo, o principal nome da dança clássica brasileira, lançou aqui em Joaçaba seu livro de memórias, “Palco e Vida”. Desde 1981 Ana é a Primeira Bailarina do Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, cidade onde nasceu, mas ela estreou profissionalmente no Ballet de Marselha, França. Ana já se apresentou na Europa e nas 3 Américas, dançando clássicos do ballet como A Bela Adormecida, Romeu e Julieta, Dom Quixote, O Lago dos Cisnes e O Quebra-Nozes, o mesmo que, por coincidência, estava sendo apresentado no nosso Teatro.
Essa apresentação do ballet “O Quebra Nozes” foi outro ponto luminoso, emocionando plateias em suas três apresentações, e fechou o ano com chave de ouro! Coreografia da professora Ane Prando e direção do renomado bailarino Everson Besbati, com a participação de 50 alunos das Oficinas Artísticas da Scajho, de crianças principiantes a bailarinas experientes como Carolina Milani.

A Sra. Anna Lindner von Pichler, presidente benemérita da Scajho, assim definiu a magnitude do espetáculo: “Se eu morrer hoje, morrerei feliz, pois vi que o Teatro está desempenhando sua função e chegou no nível que o Seo Alfredo sonhava! A Scajho cada vez mais demonstra um excelente trabalho com a descoberta de tantos talentos e revelações surpreendentes”.
Feliz é aquele que é digno de confiança, que exerce seus talentos com intensidade em prol da sociedade, que ama e conhece seu propósito. Resumindo, o que foge do nosso controle deve ser aceito como é.
Devemos colocar nosso coração na vida que podemos dirigir, naquilo que está ao nosso alcance e controle, pois a vida é repleta de escolhas. Cada escolha que fazemos é em detrimento de outra. Cada escolha são muitas renúncias, muitas vidas que não serão vividas, ensinam Clóvis Barros Filho e Arthur Meucci no livro “A Vida que Vale a Pena Ser Vivida”.
Fica para o leitor o desafio de criar sua própria vida. Criar sentido para sua jornada. A leitura, a reflexão, a vida vivida no presente, são todas formas poderosas para enfrentar as angústias e desafios da vida. Como não tiramos férias da vida, precisamos clarear nossos pensamentos e oferecer luz às nossas ideias, pois a vida que vale a pena ser vivida vai ser única para cada um de nós.
