sexta-feira, maio 8, 2026

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Joaçaba, meu lugar é aqui

Antonio Carlos Pereira, nascido em Joaçaba há 73 anos

Na antiguidade os pensadores diziam que a cidade ideal deveria ser de um tal tamanho que pudesse ser avistada do alto de um morro. Joaçaba é assim!

No ano de 1935 chegou a Joaçaba um jovem, no vigor dos seus recém completados 19 anos. Ele tinha fugido de casa, no litoral catarinense, por não gostar de trabalhar na roça, um serviço pesado, praticado de maneira rudimentar. O caminho até aqui não foi fácil… ele caminhou a madrugada toda para percorrer os 60 quilômetros que separam a pequena Medeiros da cidade de Joinville. Dali foi de trem a Porto União, onde residiam sua avó, Maria Custódio Pereira e uma tia, Heraclides Pereira Guérios, a “tia Quiquita”, e alguns dias depois rumariam para cá, pois o marido da tia havia comprado de um parente a Tipografia Santa Terezinha, em Joaçaba, que publicava o jornal “O Cruzeiro”, primeiro periódico da região. Naquele tempo Joaçaba era conhecida pelo nome Cruzeiro e tinha apenas algumas casas de madeira. O Correio era “do lado de lá do Rio do Peixe”, na “Estação Herval”, pois o trem passava por ali e a ligação era feita pela ponte Emilio Baumgart, a “ponte velha”, que veio a cair na enchente de 1983.

Após alguns anos aquele rapaz conheceu uma moça chamada Aniela Szubert, que tinha vindo de trem do interior de Gaurama (RS), para cuidar da avó dele, a avó de Raul Anastácio Pereira. Em 1943 Raul e Angelina casaram e tiveram sete filhos. Sim, meus pais vieram de outros lugares para fixar residência em Joaçaba e aqui permaneceram até o fim de suas vidas. Assim se escreve a História, nos pequenos detalhes. É comovedor traçar aqui um paralelo com a história bíblica (narrada no Livro de Rute 1:16-17) onde Rute diz a Noemi, sua sogra israelita: “para onde quer que tu fores, eu irei; e onde quer que tu ficares, eu ficarei: o teu povo será o meu povo, e o teu Deus o meu Deus. Onde quer que tu morreres, eu morrerei, e ali serei sepultada”.

Papai desenvolveu algumas atividades empresariais, demonstrando sua visão de empreendedor e administrador, mesmo sem ter tido grandes estudos: livraria, papelaria, e quando comprou a tipografia e ingressou no mundo da indústria gráfica publicou seu próprio jornal, adquiriu a primeira impressora automática do Estado e mudou de ramo para abrir um bar, com sorveteria e restaurante. Muitos anos depois ele perpetuou essas passagens em um livro, intitulado “Velhos Tempos… Belos Dias”. Em 2017 ficou conhecido como “Garoto Centenário” por ter a mesma idade de Joaçaba, e a Câmara de Vereadores lhe concedeu, por unanimidade, o título de Cidadão Honorário da terra que ele escolheu para viver.

Eu sou o filho de número quatro da Dona Angelina e do “Seo” Raul, e 40 anos depois do meu pai chegar a Joaçaba casei com uma encantadora jovem paranaense, de nome Marina, que conheceu Joaçaba em 1972 e se apaixonou pela nossa Cidade… e eu, pela Marina: temos quatro filhos, todos nascidos aqui. A família está aumentando, e como consequência, por uma bênção divina vieram os netos. Nossos filhos já residiram em outras cidades, até em outro estado, mas decidiram voltar para Joaçaba e fazem questão de viver aqui, lugar tranquilo e acolhedor. Como diziam os antigos, “quem bebe da água do Rio do Peixe sempre volta”.

Quando Joaçaba fez cem, dissemos que Joaçaba faz bem. O tempo passa generosamente e confirma: Joaçaba segue seu destino de bem receber e bem acolher. Olhe ao seu redor e contemple Joaçaba e Herval d’Oeste: parece que a cidade te abraça! Seus morros simbolicamente nos abraçam e protegem e lá do alto o Santo Local concorda e nos abençoa: é bom morar aqui, viver nessa Terrinha abençoada, com seu povo hospitaleiro e amigo.

Afinal, foi o Poeta Maior, Miguel Russowsky, quem definiu: “… a quem vir morar comigo, dou carinho e dou abrigo”.

Por isso, confirmamos: Nosso Lugar é Aqui!

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