sexta-feira, junho 19, 2026

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Sob alerta de forte El Niño, Tribunal de Contas aponta que Santa Catarina investe apenas metade do orçamento que tem para Defesa Civil

Um relatório de acompanhamento do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC) revelou que o Estado deixou de aplicar quase metade dos recursos previstos no orçamento para a gestão de riscos e prevenção de desastres naturais. De acordo com o órgão de controle, embora o montante liquidado tenha sido superior aos anos anteriores, persiste um “descompasso” entre o planejamento e a efetiva implementação de políticas públicas diante do cenário de alerta para o fenômeno El Niño.

Os dados técnicos apontam que, do orçamento de R$ 207.131.418 vinculado à Secretaria de Estado de Proteção e Defesa Civil (SDC) e ao Fundo Estadual (Fundpec) para o Programa de Gestão de Riscos, foram executados 52,37% (R$ 108.460.326). O restante, equivalente a 47,63% da dotação planejada, não foi efetivamente aplicado. No primeiro quadrimestre de 2026, o índice de execução fixou-se em 16,26% do orçamento atualizado, o que representa menos da metade do que se esperava para o período.

A Defesa Civil catarinense estima em 90% a probabilidade de o El Niño se formar ainda no inverno. O pico de desastres climáticos, como inundações e deslizamentos, é projetado para o período entre setembro e março. Em âmbito internacional, a agência norte-americana National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) aponta a possibilidade de aquecimento de até 3,2°C no Oceano Pacífico, o que enquadra o fenômeno na categoria “Super”. No Sul do Brasil, a principal consequência esperada é o aumento de chuvas intensas e enchentes.

Obras estruturantes com execução zerada

A análise da Diretoria de Contas de Gestão (DGE) do tribunal identificou que as maiores dificuldades do governo estadual concentram-se na realização de despesas de capital e investimentos estruturais de maior complexidade. Quatro subações consideradas estratégicas para a mitigação de cheias na região do Alto Vale do Itajaí registraram 0% de execução orçamentária tanto no exercício anterior quanto no último ano: construção, ampliação e reforma de barragens; derrocamento do Rio Itajaí-Açu; construção do canal extravasor no maciço de Salto Pilão em Lontras; e desassoreamento de rios da região do Alto Vale do Itajaí.

Além das ações zeradas, a rubrica “Prevenção e preparação para a redução de riscos e adaptação climática”, que detinha a maior dotação financeira do programa de Defesa Civil, registrou a aplicação de apenas 24,25% dos recursos previstos.

Em seu voto, o conselheiro José Nei Alberton Ascari ressaltou que as intervenções envolvem elevada complexidade técnica, ambiental e operacional, mas que há indícios de deficiências no planejamento executivo, na maturidade dos projetos e na governança contratual por parte do Estado.

“Os recursos destinados para a área ainda são muito distantes do que entendemos como sendo o ideal”, ponderou Ascari, destacando a gravidade do cenário atual de discussões sobre a mitigação dos impactos do El Niño.
Fonte: Página Quatro  Por Douglas Fortes

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